Este é um ponto icônico de Lages! Mas não nasceu cartão-postal: antes dos banquinhos, da iluminação e dos pedalinhos, este espelho d'água era chão de trabalho onde mãos calejadas lavavam roupas.
O fundador de Lages, Antônio Correia Pinto de Macedo, ordenou sua construção para que donas-de-casa pudessem lavar roupas a salvo da fauna e de tribos originárias que poderiam atacá-las. Com o tempo, evoluiu para atração local com localização privilegiada no Centro, perto da Catedral e do Museu Histórico. Também é por ali que fica a Biblioteca Municipal "Carlos Dorval de Macedo".
Até mesmo lendas surgiram ao seu redor - dizem que uma criança, arremessada naquelas águas em tempos remotos, se transformou numa serpente imensa cujo tamanho desafia a lógica.
Sua cabeça estaria ali, mas seu corpo (um "bichão" com uns 800 metros) se estenderia até o Rio Carahá. E junto da história, uma expressão da fé do povo: conta-se que Nossa Senhora dos Prazeres intercedeu e colocou os pés sobre a cabeça da criatura - não para destruir, mas para conter. E desde então, Lages segue intacta. MAS!!! Se alguém remover a imagem de Nossa Senhora dos Prazeres da Catedral, a serpente acorda e causa uma catástrofe: uma inundação sem precedentes na história.
Pode ser mito. Pode ser talvez até metáfora. Mas também pode ser a forma que a cidade encontrou de lembrar que não se mexe em certos alicerces da cultura.
Hoje, o tanque é ponto de encontro. Lugar de pausa, conversa, travessia. Onde o cotidiano acontece sobre uma história que mistura trabalho, fé e imaginação com uma naturalidade que esquece muitas vezes que estamos pisando sobre um chão com todo esse valor cultural e histórico.
Não é apenas um lugar bonito (e arrisco dizer que à noite é ainda mais bonito que de dia). É um símbolo vivo! Um desses raros espaços onde a cidade se reconhece: não apenas pelo que é, mas também pelo que acredita. E no fundo - literalmente - enquanto a superfície segue tranquila, fica a sensação de que Lages inteira repousa ali.
Nos arredores dele, a cidade "grita" com a correria do dia-a-dia. Mas ali, o som muda de frequência. Não é ausência de barulho, mas uma outra sintonia. Pessoas se exercitando, aposentados jogando conversa fora, casais passeando, crianças no parquinho... Todos compartilhando do mesmo "cenário" - mas cada um vivendo um "filme" diferente. O lugar é um lembrete que, mesmo no meio da rotina mais engessada, ainda existe espaço para desacelerar sem sair do lugar.
Na próxima terça-feira, a coluna sobre turismo volta com mais lugares inspiradores.
Não tire nada além de fotos. Não deixe nada além de limpeza.
Preserve o Patrimônio Público - ele é de todos.
