Copa do Mundo: a convocação do Don Carletto virou notícia

Publicada em: 18/05/2026 21:30 -

Imagem: Ronnie MacDonald. Licença: Creative Commons BY
Reportagem: Mario Gazzola

O poderoso chefão da seleção canarinha megafonou os convocados. O bem-bolado veio com um pacote misto de gerações e atletas atuando aqui e fora. Entre as traves e o travessão, marcam presença Alisson, Ederson e Weverton. Pro miolo da defesa, virão Marquinhos, Gabriel Magalhães, Bremer, Ibañez e Léo Pereira. Para os flancos, ele chamou Wesley, Alex Sandro, Douglas Santos e Danilo do Mengão. Recheando a meiúca estão Casemiro, Bruno Guimarães, Danilo do Fogão, Lucas Paquetá e Fabinho. E pra fechar a conta, tem Raphinha, Vini Jr., Luiz Henrique, Gabriel Martinelli, Neymar, Endrick, Matheus Cunha, Rayan e Igor Thiago na linha de tiro.

Ancelotti tentou equilibrar experiência e intensidade física e priorizar jogadores taticamente funcionais (caras menos midiáticos e mais "obedientes" a estrutura). E isso é MUITO do feitio do Carletto! Só que, em Seleção Brasileira, a torcida quer sentir dominância técnica e a lista não transmite isso imediatamente.

A primeira impressão que ficou é de uma escalação mais experimental do que imponente. Querendo ou não, gera comparações com seleções de outras edições e aparenta a falta de uma "espinha dorsal" consolidada, com apostas que parecem mais ser fruto da confiança pessoal do técnico do que pelo momento do jogador. Isso ficou claro com a escalação do Ney, que era dúvida e está empregue como falso 9 - figura central de ataque.

Acostumado com esse tipo de estratégia, Ancelotti deve estar planejando com a cabeça nas fases eliminatórias ao estilo europeu: sofre um pouco primeiro e decide depois. Mas numa dessas, o Brasil pode perder criatividade e espontaneidade.

Tecnicamente, a convocação faz sentido. Mas emocionalmente, ela não empolga. Taticamente, ela tá mais pra segura do que brilhante: o que é típico da cultura futebolística italiana, que foca muito mais em não perder do que em ganhar desde os tempos do catenaccio de Rocco e Herrera. Não que o Brasil vá jogar na retranca, mas o que está em construção aí seria um estilo muito mais pragmático do que é costume pra brasucada.

E o Don Carlo não é um Guardiola loucamente ofensivo: o diferencial dele está em compactação, controle emocional, transição rápida, eficiência e em adaptar o sistema ao elenco. Daí, a tendência natural é baixar risco, proteger defesa e acelerar pelos lados.

Mas virando a moeda de cara para coroa, isso pode funcionar justamente devido às expectativas ajustadas. Porque se jogar como de costume, se pá o cenário de um Brasil espaçado, vulnerável na transição e dependente de genialidades individuais teria tudo para repetir desequilíbrios sobre si próprio.

A questão vai ser: o torcedor brasileiro aceita ganhar feio? Porque ESSE deve ser o desafio cultural pro Ancelotti: criar um Brasil eficiente, frio, controlado e competitivo - mas com muita gente dizendo que isso não tem cara de Brasil.

Agora é esperar pra ver. Simples assim.

 

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