Imagem: Ben Tavener. Licença: Creative Commons BY
Reportagem: Mario Gazzola
Muita gente queria. Muita gente não. Muitas pessoas duvidavam que fosse convocado. Muitas outras tinham certeza de que o Ancelotti o convocaria. E agora é fato: o Ney tá no esquadrão canarinho, apesar de um edema na panturrilha direita ter criado especulações de que seria cortado. O eterno "menino da vila" está em um ponto tecnicamente difícil de ler: ele ainda mostra nível técnico de elite, mas já não é mais figura central de controle total de jogo como foi entre 2013 e 2022.
Como nas últimas edições ele exagerou na catimba, pegou a fama de cai-cai. Reclamou tanto, mas tanto, que a percepção dos exageros afetou até as leituras de arbitragem. Alvo de críticas por seu forte individualismo desde o começo da carreira, recebeu desde críticas pela falta de coletividade até insultos, como "mimado" (né memo, Casão?) e rótulos de displicência. Porém, fãs e ex-jogadores destacam sua genialidade e o consideram insubstituível.
Alguns pontos de queda são bem objetivos: sua explosão física diminuiu e já não consegue repetir acelerações o jogo inteiro; lesões recorrentes estão quebrando sua disponibilidade, impactando ritmo de jogo e confiança; e o volume de jogo também não é o mesmo, ele já não sustenta presença tão constante nas partidas. Então aquele Neymar que pedia bola o tempo todo, decidia a maioria das ações ofensivas e dominava o ritmo emocional do time, tá diferente.
Mas é um papelão ignorar o que ainda é muito forte com ele: tomadas de decisão em espaços curtos; precisão de passes acima da média global; capacidade de desequilíbrio no mano a mano; leitura criativa em bloqueio baixo; e habilidade com bola parada em diversos contextos. Ou seja, em jogos travados, ele é decisivo.
No modelo que o Don Carletto costuma implementar (mais compacto, vertical e reativo), o Ney não seria mais o centro do time, e sim, um segundo atacante ou meia livre de último terço do gramado. Tá mais para atalho do que pra motor, e nada disso é cornetada - precisamos ser realistas e ajustar as expectativas pra não levantar o travessão da exigência alto demais e fazer julgamento cruel depois se ele não entregar do mesmo futebol de antigamente.
E o maior problema nem é "se ele ainda joga bem" - é outro: dá pra montar uma seleção brasileira moderna e intensa SEM o Neymar com quem estamos acostumados como peça central? Dificilmente. E principalmente em copas do mundo, poucos craques mudam jogo travado como ele. Mas o Ney atual não é mais "o projeto" da seleção: é "uma variável de alto impacto" - se o time estiver bem organizado, ele consegue ser decisivo e elevar o teto; se o time depender dele, o risco de inconsistência aumenta.
E isso bota o CAPO num dilema clássico de COPA: equilíbrio de sistema versus talento individual puro em momentos de decisão - e com o Signore, a balança pesa mais para o primeiro do que para o segundo. E se o Ney agir com a maturidade desportiva tão cobrada dele, chances são de que ainda temos zap nesse truco.

