Ilustração: Giampaolo Pezzoni. Licença: Creative Commons BY-SA
Matéria: Mario Gazzola
Parece que o Cazé tá incomodando... NÉÉÉ??? Durante décadas, grandes emissoras controlaram a audiência de eventos esportivos. Quando um criador digital consegue números gigantescos, isso "desafia" uma estrutura que existia há muito tempo e afronta uma "hierarquia" inventada por causa de interesses envolvendo grana.
Claro: direitos de transmissão custam caro, e quando um novo protagonista entra nesse mercado e obtém sucesso, é natural que haja tensão competitiva. Mas nem na Escandinávia, que é obcecada com a Lei de Jante, se vê tanta pegação no pé de pessoas que se destacam quanto parece ter se tornado rotina no Brasil.
De acordo com alguns comentaristas de arquibancada na internet, existe algo profundamente errado quando o público escolhe livremente onde quer assistir a um jogo. Afinal, como ousam os espectadores não consultarem previamente uma comissão especializada em tradições televisivas antes de apertar o botão de play, né?
A "lógica" dos críticos parece simples: se uma emissora investiu milhões em direitos esportivos, estúdios, equipamentos e campanhas, seria obrigação moral do público dar audiência pra ela, e gostar ou não da transmissão seria um detalhe secundário. Como se não conhecessem o que é um público e não soubessem que ele aparece onde encontra entretenimento com carisma, identificação e uma experiência que considera mais agradável...
O mais curioso é que o sucesso de novos formatos costuma ser tratado quase como um afronta pessoal pela galera do cotovelo doído: em vez de se perguntarem por que determinado comunicador conquistou tanta gente, preferem questionar se ele tinha esse direito! Uma queda de braço onde não vence quem atrai mais público, mas quem consegue explicar por que o vencedor não deveria ter vencido.
Enquanto isso, o espectador comum segue sua rotina sem participar da polêmica: simplesmente abre a transmissão que prefere, assiste ao jogo e segue a vida, CAGANDO pro que acham as grandes mídias porque a audiência continua sendo um voto espontâneo do público e as pessoas voltam para aquilo que gostam!
E talvez seja justamente isso o que tá incomodando certos cachorrões grandes: números podem ser debatidos, métricas podem ser reinterpretadas e narrativas podem ser construídas - já convencer milhões de pessoas a assistir algo que elas provavelmente não querem por causa de diferenças de estrutura, obrigações regulatórias, custos operacionais e modelos de negócio continua sendo uma tarefa fútil e inútil: afinal, felizmente para o público, controle remoto não lê editoriais de ressentimento nem perde tempo com picuinhas.

