Imagem: Giampaolo Pezzoni. Licença: CC BY-SA
Reportagem: Mario Gazzola
A paralisação iniciada por caminhoneiros nesta segunda-feira, dia 13 de julho, tem como principal objetivo pressionar o Senado Federal a votar a Medida Provisória (MP) nº 1.343/2026 antes do fim de sua vigência, previsto para 16 de julho. A greve foi convocada por lideranças da categoria e concentra as ações em pontos estratégicos da logística nacional, especialmente em áreas portuárias.
Diferente do acontecido em 2018, quando bloqueios em rodovias afetaram o abastecimento em diversas regiões do país, a mobilização atual apresenta uma estratégia mais direcionada: o foco está em reduzir o fluxo de cargas em locais de grande movimentação sem interromper a circulação em larga escala nas rodovias.
O centro da disputa é a MP nº 1.343/2026, que altera regras relacionadas à fiscalização do transporte rodoviário de cargas e ao cumprimento da Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário. Entre os pontos previstos estão o fortalecimento dos mecanismos de controle sobre as operações de frete e o aperfeiçoamento dos instrumentos utilizados para verificar se o piso mínimo está sendo respeitado.
A proposta divide agentes do setor porque seus efeitos atingem diferentes partes da cadeia logística.
Para caminhoneiros autônomos, a medida representa um reforço às garantias de remuneração mínima estabelecidas após a greve de 2018. A expectativa é de que uma fiscalização mais rigorosa reduza a prática de contratação de fretes abaixo dos valores definidos pela política nacional, ampliando a previsibilidade de renda da categoria.
Já transportadoras e empresas contratantes de fretes avaliam que o aumento das exigências de controle e fiscalização pode elevar custos operacionais e reduzir a flexibilidade das negociações. Representantes destes segmento argumentam que mudanças dessa natureza podem gerar reflexos na competitividade do transporte e, consequentemente, sobre os custos logísticos de produtos destinados à indústria, ao comércio e ao agronegócio.
O impasse ocorre porque a medida tem prazo para ser apreciada pelo Congresso: caso não seja votada dentro do período constitucional, perde a eficácia. Até o momento, não há registro de paralisações com a mesma abrangência observada em 2018. A evolução do movimento dependerá principalmente da definição do Senado sobre a pauta da MP nos próximos dias.

