Seleção: especulações em torno da saída de Ancelotti não procedem
Imagem: YantsImages (sic). Licença: CC BY-SA
Reportagem: Mario Gazzola
Carlo Ancelotti permanece como técnico da Seleção Brasileira e tem contrato renovado até a Copa do Mundo de 2030. Apesar da eliminação precoce do Brasil no mundial de 2026, a CBF decidiu manter o treinador e apostar na continuidade do projeto, rompendo com a prática de trocar de comando técnico após grandes frustrações.
A contratação do italiano chamou a atenção pela despesa gerada: com remuneração estimada em cerca de 10 milhões de Euros por ano, o técnico se tornou um dos treinadores de seleção mais bem pagos do mundo, superando com ampla margem os salários de Scaloni e De La Fuente, por exemplo. Aliás, ganha mais que o dobro da soma dos salários de ambos. Para torcedores, é como se a CBF estivesse esbanjando sem obter retorno.
O desempenho ficou abaixo das expectativas, mas analistas apontam que o treinador teve pouco mais de um ano para preparar a equipe antes da Copa, tempo insuficiente para implantar um modelo de jogo consistente. Diferentemente do futebol de clubes, onde há treinamentos diários, convívio permanente com o elenco e a possibilidade de contratar reforços, nas seleções o trabalho ocorre em poucos períodos ao longo do ano, limitando ajustes táticos e entrosamento.
A permanência até 2030 foi justificada pela busca por estabilidade. Segundo a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), interromper mais um ciclo técnico repetiria um problema crônico de descontinuidade no comando da seleção e sabotaria o amadurecimento e evolução da nova fase.
Outro ponto que gerou dúvidas e especulação foram manchetes dizendo "Ancelotti deixa a seleção em alta" - a expressão não significa que o treinador deixou o cargo. Nesse contexto, o verbo "deixar" indica que ele colocou ou manteve a equipe em uma posição favorável em referência ao ranking da FIFA após a atualização mais recente (a equipe subiu do 6º para o 5º lugar).
Ancelotti não é o Zagallo, mas se quisesse dizer "vocês vão ter que me engolir" ele teria razão.




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