Governo: fabricar e vender o polêmico foie gras passa a ser ilegal no Brasil
Imagem: Arieh Wagner. Licença: Pixabay
Reportagem: Mário Gazzola
Os produtos obtidos através da alimentação forçada de animais, entre eles o foie gras, tiveram sua proibição sancionada pelo presidente do Brasil, vedando tanto a produção quanto a comercialização.
O foie gras (ou "fígado gordo" em francês) é produzido injetando grandes quantidades de alimento por meio de um tubo introduzido no esfôfago de gansos, semanas antes do abate. O procedimento se chama "gavage" e tem por objetivo provocar uma "esteatose veterinária" que resulta na iguaria.
O método gera polêmicas sobre ética e bem-estar animal. Defensores argumentam que a anatomia das aves possibilita a prática sem sofrimento animal e que o item faz parte do patrimônio gastronômico francês. A reação de vários chefs interpreta que a medida limita a liberdade gastronômica e a oferta de ingredientes tradicionais, podendo abrir precedente para restrições futuras a outros alimentos de origem animal. Asseveram também que o consumo da iguaria no Brasil é baixíssimo, em grande parte pelos preços elevados, e que o impacto positivo seria mais simbólico do que prático.
Mas não há consenso entre os profissionais: há também diversos chefs que baniram a iguaria de seus cardápios por preocupações com o impacto na percepção do público e por questões de sustentabilidade e consciência, mesmo antes da lei obrigar.
Há indícios de que a proibição gerou até mesmo atrito diplomático com a França, pelo fato do país ter interesse na exportação do produto. Diplomatas franceses chegaram a pressionar o governo brasileiro a vetar o projeto antes da sanção, criticando que ele conflita com o espírito do acordo entre Mercosul e União Europeia. Entretanto, não houve interesse pelo veto com a proposta aprovada por unanimidade no Congresso.
Porém, é importante ressaltar que afirmar que o episódio desencadeou uma ruptura ou aprofundou a deterioração das relações entre Lula e Macron não passa de sensacionalismo.




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