ANVISA: ampolas e canetas de retatrutida ainda continuam ilegais no Brasil
Imagem: Tânia Dimas. Licença: CC0 Public Domain
Reportagem: Mario Gazzola
De fato, a obesidade é uma séria questão de saúde pública e pode ser considerada uma epidemia, com o potencial para causar várias doenças a médio e longo prazo e comprometer o bem-estar de muitas pessoas. Casos urgentes podem exigir medidas terapêuticas intrusivas, como a bariátrica - mas também ensejar recomendações médicas como a aplicação subcutânea de substâncias como a semaglutida e a tirzepatida.
Porém, segundo informações da ANVISA, a retatrutida - que ultimamente "viralizou" - segue proibida no Brasil por ser um medicamento experimental que ainda não foi aprovado como seguro e eficaz por autoridades brasileiras e de nenhum outro país, incluindo o FDA americano e a MDA europeia.
Testes preliminares demonstraram que o medicamento atua na saciedade, no controle metabólico e no aumento de gasto energético por envolver três receptores hormonais ao mesmo tempo, gerando bastante expectativa. Contudo, não existe nenhum medicamento à base de retatrutida registrado na ANVISA - logo, não há produto legalmente autorizado para venda e o órgão determinou a apreensão dos mesmos, bem como impôs proibição à fabricação, importação, distribuição, propaganda, comercialização e uso de produtos vendidos como "retatrutida" devido à inexistência de registro ou garantia de qualidade.
Ainda estão sendo feitos estudos para definir doses e frequências de uso seguras, assim como efeitos colaterais e a gravidade do uso prolongado. Já se sabe que o medicamento pode causar náuseas, vômitos, diarreia, desidratação, hipoglicemia e até pancreatite, e produtos clandestinos oferecem riscos ainda maiores.
Mas parece faltar pouco para um pedido de registro: o medicamento alcançou a fase 3 dos estudos clínicos e, assim que fornecido dossiê apontando eficácia consistente, segurança em milhares de pacientes, efeitos colaterais toleráveis, qualidade no processo de fabricação e estabilidade do produto, ele poderá ser liberado.
O interesse pelo medicamento, em razão dos casos reportados de perdas de peso médias acima do habitual, provocou a exploração de um mercado irregular. Mas seu uso é desaconselhado por ainda não ser possível garantir identidade, qualidade e segurança dos produtos até o fim das avaliações tecno-regulatórias em larga escala.




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