Economia: ex-presidente do BACEN atribui a Lula possível recessão em 2027
Imagem: Bel Pedrosa/WEF. Licença: CC BY-SA
Reportagem: Mario Gazzola
O ex-presidente do Banco Central do Brasil (BACEN) Armínio Fraga (na foto), declarou a existência de um risco concreto de recessão econômica no país em 2027. Apesar de não considerar a chance uma inevitabilidade, o economista avalia que indicadores associados a fortes desacelerações estão emergindo. Entre eles: deterioração do crédito; inadimplência familiar crescente; empresas endividadas; juros elevados; e encurtamento do prazo médio da dívida pública.
Fraga atribui responsabilidade ao governo Lula, em razão da forma como a política fiscal do país vem sendo conduzida: disciplina afrouxada na conformidade com o arcabouço fiscal criado pelo próprio governo; esbanje em gastos públicos provocando maior percepção de risco fiscal levando investidores a exigir juros maiores para financiar a dívida pública; e política de juros prejudicial ao crédito, investimento e consumo.
Embora tenha comparado a situação com o período que antecedeu a deterioração das contas públicas no mandato de Dilma Rousseff, o que culminou em seu impeachment, Fraga também aponta que os problemas não são exclusivos do atual governo, embora a esquerda esteja desde 2002 no poder, ressalvando-se o período entre 2019 e 2022.
Fraga defende medidas de médio e longo prazo para frear, mitigar ou reverter o cenário: reforço à disciplina e sustentabilidade fiscal; conter o crescimento do gasto público; revisar subsídios e benefícios tributários; realizar novas reformas; melhorar a eficiência do Estado; e aumentar atração de investimentos e produtividade. Os paliativos aconselhados pelo economista às empresas é preservar caixa e evitar assumir dívidas enquanto houverem incertezas no cenário.
Apesar das estimativas de Fraga deverem ser entendidas como projeção e alerta, não há consenso entre economistas. Porém, as percepções divergentes vêm de economistas ligados ao governo.




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