Imagem: SpaceX. Licença: CC0 Public Domain
Reportagem: Mario Gazzola
O conselho diretor da Agência Nacional de Telecomunicações (ANATEL) recentemente aprovou uma regulamentação que permite o uso de frequências para serviços D2D (direct-to-device), conectando celulares comuns a satélites.
O impacto esperado sobre as operadoras móveis deve ser apenas complementar, não substitutivo. A tendência é que o uso do serviço aconteça em áreas rurais, estradas, fazendas, regiões pesqueiras, trilhas, montanhas e florestas, onde houver sinal fraco ou ausência de dados móveis, e que seja distribuído em colaboração com as operadoras.
Muito provavelmente o serviço será pago. Nos EUA, o serviço não é uma internet gratuita para qualquer pessoa, e começou a ser operado em parceria com a T-Mobile. No Brasil, os cenários mais plausíveis são de que será: um benefício incluído em determinados planos de operadoras; parte de algum tipo de pacote pago; gratuito apenas para mensagens de emergência; ou cobrado por uso em áreas fora da cobertura.
Nem todos os aparelhos serão compatíveis. Embora os planos sejam de disponibilizar o funcionamento em celulares comuns e sem antena externa, estes dispositivos precisarão de hardware compatível para suportar determinadas bandas de frequência. Smartphones intermediários e topo de linha mais recentes tendem a ser os mais compatíveis, enquanto que aparelhos mais antigos e hardwares mais defasados provavelmente ficarão de fora.
Não é esperada uma internet rápida desde o início, mas uma evolução gradual na qualidade da prestação do serviço: mensagens SMS, compartilhamento de localização, chamadas de emergência, mensagens por aplicativos, correios e chamadas de voz e, futuramente, dados móveis mais rápidos. O sistema não pretende competir com a tecnologia 5G nos primeiros anos, e sim, garantir comunicação onde hoje não há sinal.
Apesar da aprovação regulatória recente, ainda não há uma data oficial para o lançamento: ainda há necessidade de autorização operacional, acordos com operadoras e testes até o início das ofertas.
O serviço pode transformar o mercado em termos de cobertura. Quem mais ganha tende a ser quem hoje fica frequentemente sem sinal: produtores rurais, caminhoneiros, turistas, equipes de resgate e moradores de localidades remotas. Já para quem vive em centros urbanos, haverá pouca diferença pelo fato das redes terrestres seguirem oferecendo velocidade e capacidade superiores.

